Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Via Podiensis XI

por jg, em 08.10.25

IMG_20251007_152517.jpg

 

 

A abadia de Conques é, há uns duzentos anos, uma espécie de sucursal de uma Ordem da Normandia, julgo que ouvi mencionar Bayoux, que retive, naturalmente, por causa do pergaminho.
Parece que restam 7/8 frades que, com outros tantos voluntários, gerem o alojamento. Enorme. Ao lado da igreja, debruçada sobre o vale fundo do rio Aveyron.
Tudo está organizado para o Mr. Carson (quase) não encontrar defeito.
À hora do jantar, precedido de rendezvous no claustro esperando o toque da sineta, os monges acolhem o pessoal, que entra apressado calçando qualquer coisa que alivie das botas de caminhada - croc's, havaianas, pés descalços...
A sopa não era cinco estrelas. Disse, quem achava que sabia, que era de courgette. Era meio sarrabulhenta - sou céptico.
Um dos frades tinha-se imposto a tarefa a que também me obriguei tantas vezes, ir dar umas palavrinhas a cada mesa 🙄🤭
Resolveu falar do cozinheiro e do menu. O cozinheiro, um expert em nutricionismo, calculava as porções específicas para quem caminhava um dia inteiro - posso confirmar que limpámos os tabuleiros e que eu não fiquei com fome.
Continuou: e utiliza sempre os verdadeiros produtos do terroir, as coisas locais que compramos aos produtores da vizinhança... Nesse momento baixou os olhos para a mesa, para o tabuleiro de arroz e para o tabuleiro de chili com milho, e corou 🤣
Como o entendo. A mim, uma vez, tocou-me a delegação paquistanesa numa conferência internacional. Não descansaram enquanto não me contaram tudo o que eu sempre quis saber sobre a bomba atómica deles 🙄
Depois do jantar há que cantar uma música - felizmente a letra é facílima - envolve ultreia e suseia e pouco mais. Já a música é outra história...🙄
Em bando organizado seguimos para a igreja - brutalmente grande - felizmente há uma portinha para amigos que dá directamente sobre a ábside.
Houve mais cantos, mas mesmo depois de distribuírem uma folha com a letra, havia poucas vozes vindo do 'coro'...
Propuseram então um périplo pela igreja e todo mundo foi observar a relíquia de St Foy (séc XI) que fez deste local uma cruzilhada importante antes mesmo do Caminho de Santiago. O relicário está pendurado sobre o altar e, com uma luzinha dentro, balança muito suavemente. Assemelha-se ao botafumeiro de Compostela - excepto na suavidade...
Saímos então para a fachada principal. Um dos monges falou, excelentemente, durante quase uma hora, sobre o maravilhoso tímpano, pejado de esculturas, onde cada detalhe contribui para tornar mais complexa a questão do bem e do mal - como se fosse necessário - a pesagem das almas, e imensos ensinamentos prestimosos sobre esta vida e a próxima, e a confusão bárbara que vai pelo inferno - como se nós não lessemos jornais...
Fascinante. 
Tocou um pouco de mais na tecla do proselitismo, mas absolutamente fascinante. Valeu o sacrifício de estar imóvel, de pé, ao frio, depois de umas dezenas de quilómetros a andar .
👏👏👏

Autoria e outros dados (tags, etc)



Mais sobre mim

foto do autor


Goodreads

As estranhas sombras da Argânia


Posts mais comentados


Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D



Favoritos