Regresso ao tema da igreja românica.
Que experiência extraordinária deveria ser, para a população, entrar numa dessas igrejas imponentes e encontrar esse universo extraordinário de santos e diabos, de imagens representando "realidades" ainda hoje difíceis de se deixar penetrar.
Mesmo hoje, uma hora contemplando um desses espaços, mesmo se em muitos casos estão, infelizmente, maltratadas pelo séculos, povoados por essas esculturas, essas gárgulas, esses tímpanos e capitéis cheios de histórias. Teria de ser sumamente impactante.
Virá o gótico e cobrirá as paredes com telas e talhas, com riqueza, ostensiva, sobretudo.
Mas neste fascinante universo românico o homem está só, na sua dimensão mais singela, face a representações imponentes e mirabolantes, também, de um poder que o transcende, que é muito diferente do poder que suporta no quotidiano.
Questiono-me se muitos teriam o tempo, a candura, a intelectualidade, num espaço que tendemos a ver como duro, ingrato e cruel, para olhar essas esculturas que espreitam, que nos espreitam ainda hoje, e perguntar-se, até que ponto haveria 'espaço' para estes questionamentos? Perguntar-se: quem sou e que faço aqui?
Que privilégio terem partilhado connosco este espaços.