O lugar de ontem era magnífico. Tudo excelentemente organizado, com muito gosto, num edifício construído agarrado a uma torre medieval.
A entrada fazia-se pela torre, onde como habitualmente se deixavam as botas e mochilas, e depois, uma escada de pedra, nos primeiros dois lanços, em caracol, conduzia aos quartos e à sala de refeições com lareira acesa.
O quarto tinha três camas e um reposteiro, a um canto fazia a ligação com outro. Num estavam os homens e noutro as mulheres, à l'ancienne 😉.
Duas grandes janelas, viradas a uma paisagem impressionante atrás da qual o sol desaparecera horas antes, deixava entrar uma claridade tênue. Precisamente como eu gosto.
Ha três noites, depois de uma pequena negociação assertiva com a Cléopatra, acordei a meio da noite e apercebi-me de que a marafada se levantara mais tarde para obscurecer por absoluto o quarto 🥺
Estava eu naquele estado que não é a dormir nem acordado, olhando com preguiça uma lua enorme que aparecera na primeira janela como se fosse a protagonista de um teatro de sombras balinês e apercebo uma sombra que emerge sorrateira do reposteiro, uma intrusa do quarto ao lado...
Seria uma visita para o australiano que estava junto da porta?
Uma passagem junto à parede, no pequeno corredor que sobrava como único espaço livre e uma cabeça iluminou-se, lá estava a cabeleira morena, um pouco do calção largo aos quadradinhos branco e rosa... a mão da Cleópatra que puxava as janelas de madeira...
Para quem ainda não adivinhou a Cléo vai concerteza emergir no próximo romance 😂