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‘O Último Avô’, é o terceiro romance de Afonso Reis Cabral, mas o primeiro que leio.

Curiosamente, tenho na estante os outros dois. O primeiro, onde encontrei com emoção a dedicatória de um grande amigo que já não está, redescobri-o este Verão, numa reorganização geral de prateleiras 😉

Este ‘O último avô’, ouvi o ARC mencioná-lo numa sessão, há alguns meses, em Faro, e soube que teria de o ler muito em breve…

Em hora boa, outra amiga, resolveu atirar-mo aos pés (é uma imagem, cá em casa não se maltratam livros!) e dar-me um prazo para lidar com ele.

O romance é uma obra de relojoaria, arquitectada entre três gerações, construída com um detalhe e uma perfeição incomuns. Escutei recentemente alguém dizer que o ARC ‘demora dez anos a aperfeiçoar um livro, não é dos anuais’ e recordo que então me desagradou o comentário. Hoje, depois da leitura, discordando, compreendo-o perfeitamente. É um retrato de família, seccionado, fragmentado e muitas vezes colado de novo.

Os personagens são densos, há uma tensão psicológica constante que se exerce, de forma ondulatória, diferentemente do comum, da tensão que progride de forma unidireccional e nos empurra para o desfecho…

O protagonista, um escritor, o avô Campelo, é um homem difícil, complexo, intratável, talvez, que se enovelou num conjunto de histórias que vai revelando sem muito revelar, sobre a guerra colonial – o mistério da sua vida e do livro.

Não vai, decerto, suscitar muita criatividade ao nível de memes, reels e tiktoks: é muito bom.

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