Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Escreve, escreve muito, pequenos artigos, grandes artigos, comentários, coisas pequenas, até um dia...

Pois é.
Recordam aqueles professores de antigamente – porventura, ainda andam por aí mais frescos do que o lince da Malcata – que nunca davam a nota máxima, porque podia seguir-se alguma coisa "mais boa" e ficavam sem classificação? Tive bastantes. Quantos somíticos 'bom+' me pareceram merecer um 20? 😉
Porquê esta divagação? Classifiquei Apneia com 5* e agora faltam-me tentos...
TG é um conhecimento recente, mas creio que já saberia identificar 2 páginas dela no meio de um canhamaço de 1000 – Apneia tem, apenas, 700 😊. Há o estilo, há a elegância na escrita, há a escolha filigrânica do encadeamento dos vocábulos e, claro, as palavras fetiche.
Eu que detesto as obras 'modernas' construídas sobre 'causas' do momento, porque acho sempre que o timing é marqueteiro, e a coisa em si me soa a construto panfletário e oportunista, fico ali, conquistado.
TG postula, no sentido matemático do termo. Apresenta-nos emoções, sentimentos, que não sendo evidentes, acabamos aceitando sem discussão. A escrever bem, a escrever muito bem – há, felizmente, um bom número de autores – mas aqui, encontramos uma elegância, na escrita, na argumentação, que são notáveis.
Lobos é um patchwork inteligente de vidas assombradas por experiências de violência, com acompanhamento de uma linguagem singular, em que cada palavra – acredito mesmo nisto – é seleccionada com uma meticulosidade que um sommelier não coloca na harmonização mais importante. Mesmo quando a linguagem é crua, há sempre uma imensa delicadeza no tratamento das situações.
De cada capítulo saímos – porque a imersão é real – mais ricos de conhecimento, de valores, de vocabulário – o que não é fácil... 😉
Estarei atento às próximas criações.