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Escreve, escreve muito, pequenos artigos, grandes artigos, comentários, coisas pequenas, até um dia...

Bonsai é uma curtíssima novela de um autor chileno – Alejandro Zambra – que se tornou objecto de culto – o autor.
O texto é tão enxuto que arrepia. Como é possível ser tão sintético e ainda assim parecer cobrir convincentemente todas as necessidades da narrativa?
Segue o percurso de dois jovens universitários, adensado pelas frequentes citações e referências literárias, que passam elas mesmas a dar a tal profundidade que parece inicialmente em falta.
Na verdade, é um livro sobre viver, tomando a vida em profundidades diferentes e driblando tanto quanto possível os desencontros em que as vidas, as normais, são férteis.
O incipit diz imenso sobre a espessura da tal linguagem enxuta que referi. Vejamos:
Al final ella muere y él se queda solo, aunque en realidad se había quedado solo varios años antes de la muerte de ella, de Emilia. Pongamos que ella se llama o se llamaba Emilia y que él se llama, se llamaba y se sigue llamando Julio. Julio y Emilia. Al final Emilia muere y Julio no muere. El resto es literatura:
Não, não será um livro de cabeceira, mas vale muito como exemplo de como menos é mais, muito muito mais.